Pais presente Pais ausentes

Venho aqui recomendar um livro que estou lendo, com uma boa linguagem, que fala sobre a educação dos nossos pequenos.

Pais presentes pais ausentes

Regras e limites

Autora Paula Inez Cunha Gomide.

Segue trechos do livro como aperitivo pra vocês.

“A revolução de costumes dos anos 50 trouxe consigo uma série de questionamentos quanto à maneira de educar crianças. A severidade habitual de costumes foi confrontada inicialmente através da liberdade sexual e em seguida pela flexibilização das regras na educação das crianças. Os novos  pais, pós-revolução sexual, repudiaram a punição física, quiseram se tornar mais amigos dos filhos. Começaram a utilizar o diálogo como fonte de educação.”

“Porém, essa nova maneira de educar trouxe conseqüências inesperadas. Os filhos ficaram desobedientes, não respeitando seus pais e professores, muitas vezes deixando de estudar, não querendo assumir compromissos profissionais, tornando-se rebeldes e por via de conseqüência, alvo fácil de grupos desviantes.”

“Qual seria o problemas com essa forma de educar? ...

Sim, devemos estabelecer regras. Porém,elas não devem ser excessivas, rígidas e difíceis de serem cumpridas. O não cumprimento das regras deve ter conseqüências. Do contrário serão apenas ameaças. A ameaça não controla o comportamento...

Os filhos não obedecem por causa da ameaça; eles só vão obedecer se souberem que a ameaça será seguida pelo castigo prometido. Só assim eles irão relacionar o “comportamento inadequado” com o “castigo”, e então, para se livrar da punição mudam o comportamento indesejável. O castigo nunca deve produzir privação de necessidades básicas, é recomendável a retirada de “algum tipo de lazer”. O comportamento indesejado deve ser punido e não a criança...

Quando os pais descumprem, sucessivamente, as regras por eles estabelecidas, ensinam os filhos três atitudes indesejáveis:

1) que as regras não são para serem cumpridas;

2) que a autoridades (pais ou professores) pode ser desrespeitada;

3) ensinar a manipulação emocional.”

Você e ele

Ter um dia com seu cônjuge não significa abandonar seu filho. Sei que ter um momento a 2 sem filhos pode parecer uma tarefa difícil ou quase impossível para alguns casais. Normalmente porque a mãe não consegue separar do seu filho. Nos seis primeiros meses é compreensível que haja uma dedicação total ao bebê, mas confesso que seis meses pode ser tempo demais para alguns casais. Mas o que quero abordar aqui não é qual o melhor momento, mas a necessidade desse momento só do casal.

Às vezes essa correria do dia a dia e dedicação total aos filhos, carreira e casa nos deixa exausta, é verdade. Mas é necessário se programar e ter um dia só do casal. Do contrário tudo vai ficando automático. Acordar, trabalhar, cuidar das crianças, da casa e finalmente dormir. Temos necessidades além do outro. Não vou aqui dizer que se não dedicarmos um tempo ao nosso cônjuge ele nos deixará. Não, essa não é a linha de raciocínio que quero abordar. Esse tempo é importante para nós. Precisamos perceber que ainda somos mulheres, que somos amantes, faz parte do nosso bem estar.

Precisamos de um tempo para nos envolver num romantismo, sabemos que no dia a dia, fraldas, crianças e birras realmente não nos inspiram nem um pouco a termos uma grande noite de amor. Assim, acabamos funcionando no automático. Não temos tempo pra entrar no clima e às vezes parece que estamos cumprindo um protocolo. Isso é péssimo para qualquer relação.

Para uma boa noite de amor é preciso um envolvimento, um clima, uma conquista, mesmo que com nossos cônjuges. Por isso tenho visto tantas mulheres reclamando de suas relações. Criar esse clima num ambiente familiar nem sempre é possível, pois quando enfim as crianças já dormiram ambos estão exaustos.

Vale à pena ter um tempo a dois, e resgatar sentimentos que parecem esquecidos, mas que na verdade,  está adormecido, o ambiente é que está desfavorável.

É comum casais se separarem por falta de tempo para essa relação, mas o interessante é que meses após a separação nota-se que ambos começam a sair e buscar uma nova relação. E uma nova relação lhe tomará mais tempo e mais investimento do que simplesmente manter a relação já existente. Não acredito que o amor tenha acabado, nestes casos, acredito que não houve disposição para acordar esse amor. Acredito que o amor ainda é presente, eles se amam tanto que decidiram formar uma família. Não pode a familiar acabar com esse amor. É preciso manter viva essa chama, buscar alternativas.  Às vezes nem é necessários grandes transformações, é apenas necessário ter um tempo a dois.

Reconheça que dentro da família temos vários papeis: o de mãe, e o de mulher; e ainda temos várias atribuições: cuidar, acarinhar, amar, se doar, ser feliz; não abra mão de nada. Aprenda o equilíbrio, pra ser mãe, você não precisa deixar de ser mulher.  Tire um tempo para o casal, que seja um momento de namorar, de se entregar ao novo jeito de amar. Ao contrário do que alguns pensam filhos não atrapalham o casamento, eles nos fortalece. Nós é que priorizamos filhos e esquecemos o cônjuge e até de nós mesmas. Se reinvente e reacenda o fogo da paixão.

Porque a maternidade tem sido tão difícil para algumas mães?

Tempos vividos tempos onde as mães tem estado exaustas o tempo todo. Casamentos estão comprometidos pelo cansaço. Venho me questionado sobre esse assunto:

Porque isso tem acontecido?

O que fazer para reverter isso?

Acredito que esse cansaço não está relacionado à maternidade em si, mas sim na cobrança que temos nos feito. Houve em um momento da história onde as mulheres se dedicavam inteiramente a casa e filhos, em outro as mulheres saíram para o mercado de trabalho para ajudarem na renda familiar. Porém nos tempos atuais, as mulheres têm sido cobradas para não apenas ajudarem na renda familiar, mas existe uma cobrança  para terem excelência em todas as atividades, como profissional, como mães, donas de casa e ainda esposas. Existe uma sobrecarga de exigências. Somos capazes de acumular todas essas funções, mas tem se tornado pesado porque exigimos de nós mesmas a perfeição em tudo que fazemos. Eu não preciso aceitar essa pressão, posso viver ao meu modo e a minha maneira. Não existe um padrão a seguir, existe o padrão que eu crio para as minhas necessidades.

E o que fazer?! É preciso relaxar, e aceitar que nem tudo precisa ser perfeito. O seu filho pode comer comidas saudáveis sempre, mas se permita improvisar para tornar seu dia mais fácil.Tenho visto mães que não mandam seus filhos para escola em dias de aniversário de coleguinhas pelo fato de haver docinhos. Acompanhando as festas de aniversário  da minha filha que tem 4 anos e desde os 2 comemora na escola, percebi que as crianças de 2 anos não s comem mais do que 2 docinhos. Fica minha pergunta, que mal esses docinhos fará a uma criança. Não dá pra criar nossos filhos numa bolha, o erro , a queda, o machucado, a frustração fazem parte do crescimento e amadurecimento da criança.

O segredo é buscar sempre um equilíbrio, se permitir retroceder e se encorajar para avançar, tudo no seu tempo. E entender que a vida é mesmo assim, cheia de altos e baixo, e nem sempre é possível estar no topo. Entender ainda que a família é composta de relações coletivas, mas também individuais e de um casal. E cada uma dessas relações tem suas necessidades específicas e precisam de uma dedicação individual.  A vida de uma mãe deve ir além da maternidade, que pode e deve ter concessões. Seu filho não é e não deve ser um robozinho, e sabe muito bem como te tirar do sério. Relaxe se ele não comeu, criança não morre de fome com comida em casa, mas ele sabe que enlouquece a mãe quando não come.

A maternidade ficará mais leve, se você fizer a escolha certa. Abrir mão de uma coisa não significa exatamente perder, às vezes é preciso perder para ganhar. Aceite quando precisar abrir mão de algo pra você em virtude da sua família, ou ainda quando for necessário, não se culpe se a sua família é quem precisará abrir mão de algo em virtude de você.  Se culpe menos, e entenda não somos perfeitas e nunca seremos, e esta busca por perfeição só gera em nós uma frustração e a frustração gera cansaço físico.

Não fuja das suas responsabilidades, mas se permita ser mulher e não apenas mãe.